quarta-feira, 10 de março de 2010

Transporte de primeiro mundo.

O assunto é mais que recorrente, mas não dá para deixar passar.
Durante as férias viajei aos Estados Unidos. Num dos últimos dias, já bastante cansado, decidi pegar um ônibus para voltar ao hotel, isso na cidade de San Francisco.

Entramos no coletivo no ponto inicial e tudo estava uma maravilha. Só eu e a Gi, o motorista um uma máquina para depositar o dinheiro da passagem. A vista era legal, pois passávamos entre regiões que não são freqüentadas por turistas e como era começo da noite de sábado aproveitamos o passeio incomum.

Algumas quadras depois do início do trajeto percebi que o ônibus não tinha pontos fixos. Isso gerava certo descontrole no tempo que o ônibus levaria para percorrer seu trajeto, uma vez que ele ia parando conforme as pessoas faziam sinal nas ruas ou puxavam as cordinhas (confesso que achei bem legal as cordinhas do ônibus. Lembrei do meu tempo de infância em que sonhava um dia puxar ao fio, mas ainda não tinha tamanho para isso. Seria aquela minha oportunidade, pois as cordinhas de Curitiba foram abolidas ainda no tempo que eu era pequeno).

Mais algumas quadras e outro fato inusitado. De repente o motorista começa a gritar com alguém na rua. Não consegui ver do que se tratava, mas o motorista xingava e era xingado. Os passageiros riam e aplaudiam as respostas do motorista. Cômico.

Ok, mas qual o fato relevante para essa história estar no blog? Pois bem, vamos a ela.

Depois de uns 20 minutos dentro do ônibus, o espaço começou a acabar. As pessoas começaram a se espremer e até parecia um dia de semana chuvoso, no horário do rush, de tão cheio e espremido que estávamos. Nisso escuto outro grito do motorista, o mundialmente útil "passinho pra trás". O problema é que a massa não tinha mais o que fazer, pois o busão estava cheio. Não bastasse isso, após dobrar uma ou duas esquinas ele entra no bairro chinês e ai acontece o esperado. O ônibus é invadido por chineses e já começo achar que estou em Pequim, num dia de passagem grátis. Como estava sentado o problema era menor, mas ainda assim existia. Eis que um senhor de uns 120 anos entra pela porta do meio, em frente ao meu banco, acompanhado de sua esposa ou filha, de apenas +-95. Fico em uma situação desconfortável, pois seria visivelmente ridículo eu continuar sentado e o senhor em pé. Me levanto e faço um sinal para que ele sente no meu lugar, teria pergunta se ele conseguiria se tele transportar para o meu banco, pois era humanamente impossível alguém caminhar os dois passos que nos separavam. Teria, se não começasse a levar uns empurrões da sua acompanhante. No pior estilo "obrigado, mas não precisa" a chinesa começou a falar comigo em uma língua que jamais saberei se era mandarim ou inglês. Respondi que desceria já no próximo ponto, esperei a porta abrir e... Entalei. Não dava para sair, só sairia se empurrasse uns 10 para fora do ônibus. Confesso que fiquei tão sem saber o que fazer que se não fosse por outra passageira, bem mais acostumada com aquela situação do que eu estaria em pé naquele ônibus até agora. Ela abriu caminho e eu fui atrás, puxando a Gi pela mão.

Ao tocar o chão o comentário foi mais que espontâneo. "Esses caras precisam ir para Curitiba aprender o que é transporte coletivo".

Sei que por uma experiência única não dá para concluir muita coisa, mas se num sábado à noite as coisas estavam daquela forma não quero saber o que acontece por lá nos dias da semana. Também sei que a superlotação acontece por aqui também, infelizmente, mas nosso sistema é mais racional que o deles, pois você faz a pessoa andar até um ponto determinado e reduz a quantidade de paradas. Lá chegamos a parar duas vezes em uma mesma quadra. Outro ponto, que Curitiba já conseguiu resolver, é a questão do embarque. Não sei qual o critério, mas não tinha uma porta determinada para o embarque e outra para o desembarque. Isso fazia com que congestionasse tudo quando as portas se abriam.

E na pressa de descer nem tive tempo de puxar a cordinha.

4 comentários:

Giovanna disse...

Mas eu puxei!

Faltou dizer que a linha do ônibus não era Colombo - CIC. Estava mais para Jardim Social - Batel...

Acho que foi a minha pior viagem de ônibus. Só perdeu para a saída do jogo da Alemanha, na qual quase morremos sufocados, lembra-se?

glauber gorski disse...

Hmmmm, acho que tá faltando você dar uma volta de ônibus por Curitiba. Isso pode servir para expandir seu post. Preferencialmente dê uma passada no terminal do Cabral, e você será transportado para uma outra cidade - infelizmente. Há muito o transporte coletivo de Curitiba NÃO É opção para o carro. Exceção disso (das 6 linhas que eventualmente utilizo) são o Jardim Social / Batel (que passa a cada 30 min) e o Interbairros I (que não é integrado aos terminais). Ambos são tranquilos para se "viajar" pela cidade.

Harry disse...

Oi Glauber.

Sei que sofremos com superlotamento, mas mesmo assim nosso sistema é pensado de uma forma mais racional que o deles.

Se Curitiba dobrasse o tamanho da frota teríamos um transporte de maior qualidade. Já pelo que vi em San Francisco isso não seria suficiente, pois a arquitetura do transporte é fraca.

Andre disse...

Concordo com o Glauber! O transporte coletivo de Ctba está saturadíssimo! Moro no Cabral, e ás vezes tenho que deixar passar uns 3 expressos prá achar um em que consiga entrar pela manhã. Depois, fica difícil até conseguir chegar na porta certa prá sair.
Na volta do escritório, já fiquei várias vezes prá fora do tubo, que estava cheio, e na chuva. prá mim bastou, mesmo podendo pegar ônibus, vou ao trabalho de carro. Queria fazer o contrário, mas é impossível!
Abraço e parabéns pelo blog!