quinta-feira, 19 de março de 2009

A cidade dos tubos

Tubo de ônibus em Curitiba Uma bela cidade é aquela que dificilmente saí das lembranças. É exatamente esse sentimento que atormenta quem visita Curitiba, a capital do Paraná. Suas ruas arborizadas, seus bosques repletos de verde e suas avenidas modeladas colocam qualquer aventureiro em estado de paixão. E foi essa euforia que me fez ir para a tal cidade dos tubos. Antes de chegar a cidade, conversava com um homem dentro do ônibus, que me explicava o motivo pelo qual Curitiba é adorada por todos: “Tudo o que Curitiba tem é uma boa administração, isso a torna extremamente organizada”. E essa palavra é mesmo o principal movimento da cidade. Não se vê congestionamentos, guardas enloquecidos nem amontoados de veículos. Pelo contrário, em algumas esquinas não há sequer semáforos, quem se organiza é o próprio motorista. Quando o pedestre coloca o pé para fora da calçada, todos os carros param para que não ocorra atropelamentos, o que é extremamente execrado em São Paulo.

Mais interessante ainda é o tranporte público. Não há pontos de ônibus, todas as transferências são feitas através de modernos tubos, onde a passagem é paga ao cobrador e a espera é dentro da estrutura de PVC. Quando o ônibus chega, as portas se abrem e uma pequena rampa é presa nas portas dos tubos, abrindo passagem direta do ponto para o veículo, que geralmente são enormes. Há tubos por toda a capital paranaense. Impressionante é a tranquilidade com que os cobradores trabalham. Meia-noite, o cofre cheio de dinheiro, o cobrador sozinho dentro do tubo e não há assaltos, roubos, nada! A única evidência de que estava em uma capital foi quando vi torcedores do Atlético-PR dentro do ônibus, e isso é igual a qualquer cidade do mundo: vandalos batendo nos tetos, nos vidros e gritando nas janelas. Em Curitiba também há muitas avenidas, todas devidamente planejadas. Largas e devidamente sinalizadas, trazem idéias importadas de Paris: todas elas terminam ou tem em seu corpo rotatórias, que dividem o tráfego da cidade e permitem que as vias não se congestionem. Essas avenidas também são sempre de mão única, ou seja, uma avenida Paulista por exemplo, em Curitiba é toda extensa para um lado, tendo outra avenida paralela que leva ao destino oposto. Outra peculiariedade da cidade é a limpeza, ainda mais para um paulistano acostumado a enchentes, acúmulo de lixos e etc. Em Curitiba, quase não se vê fragmentos na rua, córregos a céu aberto e muito menos sinais de enchente. Em cada esquina se tromba com uma lata de lixo, devidamente arrumada e preservada. Nos canteiros, as flores parecem desabrochar por si próprias, as árvores parecem dançar no meio das avenidas largas e os cuidados humanos completam a beleza dos espaços verdes curitibanos.

Curitiba não mede esforços para preservar seu patrimônio. Pontos turísticos famosos como o Jardim Botânico e a Ópera de Árame são extremamente cuidados, além de serem lugares magníficos. Percebe-se a importância desses lugares para os curitibanos no valor que dão ao turismo, principalmente com a existência de um ônibus que anda por três horas pela cidade, passando por todos os pontos turísticos, 0nde o passageiro tem direito a desembarcar em quatro deles por vinte reais. Detalhe: os veículos não tem teto, tudo a céu aberto. Um passeio inexplicável!

Mais como toda cidade grande, nem tudo são flores. Os serviços particulares de Curitiba não são eficientes nem práticos. Tomar um café dominical em uma padaria curitibana é uma missão complicada. Almoçar então, praticamente impossível. Tudo fechado. Ver acidentes de trânsito também é fácil. Somente na madrugada que cheguei, na primeira andança pela cidade dentro do táxi avistei três veículos completamente destruídos e o resgate dando os primeiros socorros. “É que os jovens olham para a via vazia e aceleram, o que acaba ocasionando tantos acidentes assim”, dizia o taxista com um suave sotaque, que me levava a rir a todo instante.

No geral, Curitiba se parece com uma cidade do interior da Europa. No centro, há prédios históricos, praças arborizadas e estruturas estáticas. Nos bairros, as calçadas são internas às árvores e as casas não possuem portões. Realmente um lugar familiar, mochileiro, aventureiro e fascinante. Um lugar que nenhum brasileiro pode morrer sem deixar de conhecer.


Esse texto foi postado em http://omundodeumvisionario.wordpress.com/2009/03/13/a-cidade-dos-tubos/ e achei interessante, por isso estou reproduzindo aqui.

2 comentários:

Giovanna disse...

texto legal. Mas tem assalto em tudo e tem padaria aberta no domingo.

Alexandre M. Lima disse...

Estou indo para aí depois de amanhã conferir se o que falam de Curitiba é tudo isso mesmo. Espero que sim! :)